Zonas 0, 1 e 2: como saber qual é a do seu local
Resposta curta: a zona mede a probabilidade de existir atmosfera explosiva no local. Para gás, vapor e névoa, são as zonas 0, 1 e 2. Para poeira combustível, são as zonas 20, 21 e 22. Quanto menor o número, maior a probabilidade e mais rigoroso o cuidado com equipamentos e fontes de ignição.
Quem define a zona de um local é o estudo de classificação de áreas, feito por profissional habilitado, e não o tipo de equipamento nem a opinião de quem opera a planta.
O que define cada zona de gás
A NBR IEC 60079-10-1 define:
| Zona | Atmosfera explosiva de gás… |
|---|---|
| Zona 0 | presente continuamente, por longos períodos ou frequentemente |
| Zona 1 | provável de ocorrer ocasionalmente em operação normal |
| Zona 2 | não provável de ocorrer em operação normal e, se ocorrer, existe só por um curto período |
Existe ainda a zona de extensão desprezível: uma zona tão pequena que, se houvesse ignição, as consequências seriam desprezíveis.
E a poeira? Zonas 20, 21 e 22
Seguem a mesma lógica, mas para nuvem de poeira no ar (NBR IEC 60079-10-2):
| Zona | Nuvem de poeira combustível… |
|---|---|
| Zona 20 | presente continuamente, por longos períodos ou frequentemente |
| Zona 21 | provável de ocorrer ocasionalmente em condições normais de operação |
| Zona 22 | não provável em condições normais e, se ocorrer, persiste só por um curto período |
Dois cuidados de quem classifica poeira: a poeira combustível é a de tamanho nominal de 500 µm ou menor, e a camada de poeira depositada também conta, porque pode virar nuvem.
Cuidado com a tabela de «horas por ano»
Circula em muito guia a ideia de que Zona 0 seria «mais de 1.000 horas por ano», Zona 1 «de 10 a 1.000» e Zona 2 «menos de 10». A NBR IEC 60079-10-1 não define zona por horas. Ela diz que os termos «longos períodos» e «frequentemente» não precisam ser quantitativos. Faixas horárias vêm de códigos industriais de terceiros e servem, no máximo, de apoio. Se um laudo usa horas como definição de zona, vale perguntar de onde veio o número.
Como a zona nasce: a fonte de liberação
O estudo não começa pela zona: começa por onde a substância inflamável pode escapar. Cada ponto desses é uma fonte de liberação, e o seu grau orienta a zona:
| Grau da liberação | Zona que costuma resultar |
|---|---|
| Contínuo | Zona 0 |
| Primário (em operação normal) | Zona 1 |
| Secundário (só por falha) | Zona 2 |
A ventilação pode reduzir a zona ou, quando é deficiente, aumentá-la. O estudo avalia o grau de liberação, a diluição e a disponibilidade da ventilação, e então a extensão da zona: até onde a mistura com o ar ainda está acima do limite inferior de explosividade.
Exemplos típicos (ilustrativos: sempre dependem do estudo)
- Espaço de vapor dentro de um tanque com líquido inflamável: costuma ser Zona 0.
- Em volta de pontos de enchimento, selos de bomba e respiros: costuma ser Zona 1 ou 2, conforme o grau e a ventilação.
- Silo, moega e elevador com poeira de grãos: o interior costuma ser Zona 20 ou 21; o entorno, Zona 22, e a limpeza das camadas muda o quadro.
O que a zona decide depois
A zona define qual equipamento pode ser instalado (nível de proteção do equipamento e grupo), quais fontes de ignição precisam ser controladas e como o local será inspecionado. Por isso errar a zona é caro nos dois sentidos: zona de menos deixa risco; zona de mais encarece projeto e manutenção sem motivo.
Quando chamar um engenheiro
Se a sua planta tem tanques, bombas, silos, caldeiras a gás, pintura ou qualquer processo com inflamáveis, o estudo de classificação deve existir, estar atualizado e bater com o que está instalado. A HazOp faz o estudo e a inspeção das instalações em área classificada. Veja o serviço de classificação de áreas NR-20, leia também classificação de áreas e NR-20: o que a norma exige ou fale com um engenheiro.
Perguntas frequentes
Zona 1 é uma condição mais crítica que Zona 2?
Sim. Na Zona 1 a atmosfera explosiva é provável de ocorrer ocasionalmente em operação normal. Na Zona 2 ela não é provável em operação normal.
Quem define a zona do meu local?
O estudo de classificação de áreas, feito por profissional habilitado, com ART. No Brasil, ele costuma estar ligado à gestão da NR-20 e ao prontuário de instalações elétricas da NR-10.
A classificação vale para sempre?
Não. Mudou o processo, o produto, a ventilação ou o arranjo da planta? O estudo precisa ser revisto.
Preciso classificar se uso só um tanque pequeno ou gás de cozinha?
Depende de poder existir atmosfera explosiva e da quantidade envolvida. O estudo mostra quando a área pode ser considerada não classificada.
Veja também
Precisa aplicar isso na sua planta?
Fale com um engenheiro da HazOp e transforme conhecimento em conformidade.
